como construir uma marca

Como construir e estruturar sua marca

Qual é sua marca pessoal? Um sorriso cativante, uma gargalhada expressiva, um perfume inesquecível?

Bem, todos têm uma marca, isto é, uma característica única que diferencia a pessoa e a faz ser relembrada por quem a conhece.

Agora, pensando em uma carreira mais profissional, o que vem a ser exatamente uma marca?

A marca é o conjunto de valores, defeitos, qualidades e particularidades daquela pessoa. A marca guarda a essência do artista, é aquilo que revela a personalidade e a jornada dele.

Qual é a marca do Michael Jackson? E da Madonna? Perceba como essas características são, de fato, marcantes. São elas que abrilhantam sua carreira e trazem a notoriedade e a exclusividade sonhada por quem produz arte.

O que é branding?

O branding é o nome do processo de criação da marca. Ele é consistente e contínuo, ou seja, não se resume a uma reunião ou a uma tarde de trabalho.

A construção dessa marca e as decisões sobre quais serão os elementos de composição são passos do branding. Essas escolhas, que passam pela identidade visual, são planejadas tendo como objetivo posicionar aquele artista, mostrar o que esperar dele e suscitar sensações e sentimentos com aquela figura.

No branding, organiza-se quem é aquele artista: quais são os valores dele? O que ele deseja? Qual é a mensagem que ele tem para passar? Essas respostas norteiam o processo e ajudam a entender o que e como será comunicado por aquela marca. 

O branding também envolve estratégias do que será criado, vinculado e associado àquela marca.

Privilegie a simplicidade e a objetividade. A marca deve ser original, criativa: você está mostrando quem é você e o que e como pode fazer com seu trabalho. Mesmo os artistas sendo seres tão excêntricos e repletos de ideias, a marca deve cristalizar essa personalidade e traduzir aquele universo particular.

(livros de Hugo Valter Mãe são um exemplo de marca bem construída e bem aplicada com consistência no estilo. Os designs traduzem a personalidade do autor e criam o seu “universo”)

Qual é a diferença entre marca e identidade visual?

Marca é sinônimo de identidade visual? Não!

Marca é o logo do artista? Também não!

No entanto, apesar de não serem conceitos iguais, eles estão muito ligados! A criação tanto da identidade visual como do logo é fruto de uma compreensão de qual é exatamente a marca daquele artista e de qual mensagem ele quer passar ao público. A identidade visual e o logo nascem após estudos sobre a marca.

A marca é mais abrangente, é um posicionamento, é a personalidade, é quem você é.

O logotipo é o símbolo de sua marca, é o objeto que condensa sua marca.

Já a identidade visual é a atmosfera ligada à marca, é a materialização dessa marca, é a forma como a marca será reconhecida. A identidade é o ecossistema da sua criação. 

A identidade visual é lapidada com as referências e formada, basicamente, pelo logo, pela paleta de cores e pela fonte, mas outros elementos podem incrementá-la, como texturas ou mesmo um filtro de Instagram. 

Os elementos principais de uma marca

Bem, o primeiro elemento parece óbvio, mas é sempre bom relembrar: escolha o nome artístico.

É com esse nome que você será conhecido, reconhecido, prestigiado, referenciado. A depender de suas ambições, esse nome também precisa ser inteligível (isto é, ter leitura e pronúncia acessíveis) em outros idiomas. É uma escolha séria, que deve ser amadurecida, afinal, os artistas não ficam mudando de nome a cada trabalho lançado, certo?

Outro elemento fundamental é o logotipo. O logotipo pode ser de diversos formatos, como um nome ou um símbolo.

Outros elementos que são essenciais para construir sua marca são tipologia de fonte, paleta de cores, ícones. A paleta geralmente é composta por 3 cores. Também se costuma trabalhar com 2 fontes, uma para textos mais curtos e impactantes e outra para textos maiores.

Hoje, o mundo tem múltiplas plataformas e possibilidades de divulgação e de interação. Isso deve ser ponderado na hora de planejar seu logo e sua identidade: você vai aplicá-los em páginas da internet, em redes sociais e, eventualmente, em material impresso (como um disco, um ingresso, uma capa de livro). Será que o logo ficará bacana em todas essas versões? 

Extra

(Neste podcast ROD e Otavio Mendes mergulham no processo de criação de uma marca com exemplos reais do ponto de vista do artista (ROD) e do designer gráfico (Otávio).

 

Marca para artista X Marca para Grupo

O grupo é como se fosse uma entidade: ele sobrevive às pessoas que passam por ele. Imagine um corpo de balé, por exemplo. Bailarinos entram e saem, mas a marca daquele grupo permanece.

Enquanto a marca para um artista está intimamente ligada àquela pessoa e ao que ela produz, a marca para o grupo não pode se ater a elementos individuais e precisa passar a essência daquele trabalho. Os valores da marca também estão mais voltados a essa atividade em conjunto, com uma identidade mais coletiva. Pense em grupos musicais que sobrevivem por gerações, com mudanças de integrantes, mas com o mesmo estilo e com a mesma marca que os consagrou. 

Já o artista solo não se molda à marca: ele a determina.

Como começar do zero

Primeiro conselho: não desista!

Segundo conselho: não tenha medo!

Você deverá começar em algum momento. E para iniciar a concepção da sua marca, é preciso mergulhar em quem você é e o que você quer passar com sua arte. 

Tenha essas diretrizes definidas para trilhar sua identidade.

Algumas questões são norteadoras: o que você faz? O que gosta de fazer? Quem é a pessoa por trás daquela produção artística? O que quer comunicar ao mundo?

Sabendo essas respostas, é hora de partir para as referências. Liste quem é inspirador naquele segmento, quem pode ser associado àquele estilo, quais artistas e trabalhos te agradam.

Se você é um artista plástico, por exemplo, pense em quais outros artistas te motivam, com quais obras as suas dialogam, quais elementos plásticos remetem a você e a sua produção.

Esses elementos norteiam a marca porque ajudam na idealização do que você quer expressar ao seu público. 

A melhor forma de você se diferenciar de todos é ser REALMENTE quem você é.

Como refazer sua marca (rebranding)

O branding é um processo contínuo, sujeito a aperfeiçoamentos ao longo da jornada e a consistência é o segredo para marcar seu público. Dito isso, em alguns momentos, sua marca precisará ser revitalizada.

Grandes empresas mudam, de tempos em tempos, logotipo, fonte, slogan. É um movimento natural e fundamental para a atualização.

Renovar sua marca será necessário. O contexto é um fator a ser considerado, assim como as mudanças em sua personalidade artística ou as transições de seu trabalho. Se sua produção está mais sofisticada do que era no início da carreira, por exemplo, é natural que o logo também acompanhe esse estilo. 

As mesmas questões que compuseram o branding precisarão ser respondidas para se repensar a marca e tudo que a envolve: quem é você? Com quem você fala? Qual é seu objetivo com sua arte? 

A tendência de hoje são marcas mais cleans, mais lights, mas, claro, não é uma regra, e sim um caminho que tem se optado para uma identidade mais minimalista e contemporânea. 

Evolução de design e marca da garrafa da Coca-cola

Mãos á obra

Que tal começar agora que você já tem uma boa noção do que é a marca e como criá-la?!

Lista de tarefas para construir a marca:

1) Quem é você? Estabeleça seus pontos fortes e suas motivações para seguir a carreira artística.

2) Quais são as suas referências – tanto artísticas como valores pessoais. Eleja 4 referências de cada para nortear a sua marca.

3) Primeiros traços e rascunhos para concepção do logotipo. Teste modelos, formatos, brinque com ícones e elementos. É hora de sonhar.

4)Lapide o trabalho, chegando a uma versão com melhor acabamento. (Se necessário, com os passos 1, 2 e 3 em mãos, contrate um freelancer para refinar suas ideias).

5) Ainda com base nas referências, defina paleta de cores, fontes e outros elementos que vão compor sua identidade visual. 

6) Escute opiniões sobre a sua marca antes de lançá-la efetivamente. Colete informações com as pessoas em que você confia, escute o que elas têm a dizer, a impressão que aquele nome causa, o que a marca sugere para elas. O ideal é que essa pesquisa informal seja realizada com quem for realmente um potencial consumidor da sua arte, porque aí o interesse em ajudar é genuíno.

7) Não se esqueça da sua intuição! Os artistas têm um feeling muito aguçado e sabem bem ouvir a voz interior que diz para onde seguir. A escolha da marca perfeita para você passa por escutar seu sexto sentido.

Bárbara Wieler

Bárbara Wieler

Formada em Letras e Comunicação, mestre em Literatura e doutoranda em Linguística. É autora do livro “Raíssa” (Editora Inverso). Atua como escritora, revisora, produtora de conteúdo e redatora.

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